Dra Mariana Vicentin NauffPromovendo a saúde na Infância e Adolescência Pediatria integrativa com olhar materno e humanizado. Cuidado integral direcionado para as crianças e adolescentes, com humanização do atendimento incluindo todos os elementos do estilo de vida e saúde da família.;cólicas do recém-nascido

Formas naturais e seguras para aliviar as cólicas do recém-nascido

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As primeiras semanas com o seu bebê em casa são repletas de descobertas, mas também de noites mal dormidas e de muitas dúvidas. Entre os desafios mais comuns desse período, as cólicas do recém-nascido costumam gerar grande angústia nas famílias. Ver o seu filho chorar de forma intensa, encolher as perninhas e parecer desconfortável, sem saber exatamente como ajudar, é uma experiência que toca profundamente o coração de qualquer pai ou mãe. Sei o quanto esses momentos podem deixar a família exausta e insegura.

A boa notícia é que as cólicas, embora desconfortáveis, fazem parte de uma fase normal do amadurecimento do bebê. E existem formas naturais, gentis e baseadas em evidências que podem trazer alívio para o seu pequeno e mais tranquilidade para toda a casa. Neste artigo, quero caminhar ao seu lado, explicando o que acontece com o corpo do bebê e como você pode acolher esse desconforto com segurança e carinho.

O que são as cólicas do recém-nascido e por que elas acontecem?

As cólicas são episódios de choro intenso e inconsolável que acontecem em bebês saudáveis e bem alimentados, geralmente entre a segunda e a terceira semana de vida, com pico por volta da sexta semana. Na maioria dos casos, elas tendem a melhorar de forma natural por volta dos três a quatro meses de idade.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as cólicas são consideradas um fenômeno do desenvolvimento, e não uma doença. Embora ainda não exista uma única causa comprovada, alguns fatores ajudam a explicar esse desconforto:

  • Imaturidade do sistema digestivo: o intestino do bebê ainda está se adaptando ao processo de digestão e à produção de gases.
  • Engolir ar durante as mamadas: seja no peito ou na mamadeira, o bebê pode engolir ar, o que aumenta o desconforto abdominal.
  • Sensibilidade ao ambiente: recém-nascidos estão se adaptando a um mundo cheio de estímulos, e a regulação emocional ainda é imatura.
  • Microbiota intestinal em formação: a flora intestinal do bebê está em pleno desenvolvimento nos primeiros meses.

É importante entender que as cólicas não significam que você está fazendo algo errado. Elas acontecem mesmo com toda a dedicação e cuidado da família, e reconhecer isso é o primeiro passo para vivenciar essa fase com mais leveza.

Como saber se o choro do meu bebê é realmente cólica?

Uma dúvida muito frequente entre os pais é distinguir o choro de cólica de outros tipos de desconforto. Em geral, o choro relacionado à cólica apresenta algumas características:

  • Ocorre com frequência no fim da tarde ou à noite.
  • É intenso, agudo e difícil de acalmar com as estratégias habituais.
  • O bebê costuma encolher as perninhas em direção à barriga, fechar os punhos e ficar com o rosto avermelhado.
  • Acontece em um bebê que, fora desses episódios, está se alimentando bem, ganhando peso e desenvolvendo-se adequadamente.

Historicamente, utilizava-se a chamada “regra dos três” como referência: choro por mais de três horas por dia, em mais de três dias por semana, por mais de três semanas. Contudo, mais importante do que cronometrar o choro é observar o conjunto: se o bebê está saudável, mamando bem e crescendo, o desconforto provavelmente é transitório.

Por outro lado, é fundamental procurar avaliação médica caso o bebê apresente febre, vômitos persistentes, sangue nas fezes, recusa alimentar, perda de peso ou letargia. Esses sinais não fazem parte do quadro de cólicas simples e merecem atenção imediata de um pediatra.

Quais são as formas naturais de aliviar as cólicas do bebê?

Felizmente, há diversas estratégias suaves e seguras que podem ajudar a confortar o seu bebê durante os episódios de cólica. Na abordagem integrativa, busco unir o cuidado físico ao acolhimento emocional, entendendo que o bem-estar do bebê e o da família caminham juntos.

1. Contato pele a pele e colo

O colo é uma das ferramentas mais poderosas que você tem. O contato pele a pele acalma o bebê, regula a temperatura corporal, os batimentos cardíacos e transmite segurança. Não há risco de “acostumar mal” o recém-nascido com colo. Pelo contrário, esse vínculo é essencial para o desenvolvimento emocional saudável.

2. Massagem na barriga

Movimentos suaves e circulares na barriguinha do bebê, no sentido horário, podem ajudar a movimentar os gases e aliviar o desconforto. Movimentos delicados de “bicicleta” com as perninhas também costumam trazer alívio. Faça isso em um momento calmo, com as mãos aquecidas, observando sempre as reações do seu bebê.

3. Posição de barriga para baixo (sob supervisão)

Apoiar o bebê com a barriga sobre o seu antebraço, segurando-o com firmeza, pode aliviar a pressão dos gases. Essa posição deve ser realizada apenas enquanto o bebê está acordado e sob supervisão constante. Lembre-se: para dormir, a única posição segura recomendada é de barriga para cima, conforme orientam a SBP e a American Academy of Pediatrics (AAP) para prevenção da síndrome da morte súbita do lactente.

4. Sons e movimentos suaves

Balançar o bebê com delicadeza, caminhar pela casa ou utilizar sons que lembram o ambiente do útero, como ruídos brancos suaves, pode reconfortar o recém-nascido. Esses estímulos remetem à sensação de acolhimento que ele sentia antes de nascer.

5. Eructação (colocar para arrotar)

Após cada mamada, dedique alguns minutos para colocar o bebê para arrotar. Isso ajuda a liberar o ar engolido durante a alimentação e reduz o acúmulo de gases que contribui para o desconforto.

6. Ambiente tranquilo

Reduzir estímulos excessivos, como luzes fortes, barulho e muita movimentação, pode ajudar bebês mais sensíveis. Um ambiente calmo favorece a regulação do sistema nervoso ainda imaturo do recém-nascido.

A amamentação influencia nas cólicas do recém-nascido?

A amamentação é a forma mais completa de nutrição para o bebê e oferece inúmeros benefícios para a imunidade e o desenvolvimento. Em relação às cólicas, a técnica de pega correta faz diferença: uma pega adequada reduz a quantidade de ar engolido durante a mamada, o que pode diminuir o desconforto.

Quero deixar claro, com toda a sensibilidade: dificuldades na amamentação são comuns e não são culpa da mãe. Cada dupla mãe-bebê tem o seu próprio ritmo de aprendizado. Se você está enfrentando desafios para amamentar, buscar apoio especializado pode transformar essa experiência, sem julgamentos.

Em alguns casos específicos, quando há suspeita de alergia à proteína do leite de vaca ou outras intolerâncias, o padrão do choro e os sintomas associados podem ser diferentes das cólicas comuns. Essa avaliação deve ser sempre individualizada por um pediatra, pois mudanças na alimentação materna ou na fórmula do bebê não devem ser feitas por conta própria.

Probióticos e suplementação ajudam nas cólicas?

Esse é um tema que desperta muito interesse na pediatria integrativa. Alguns estudos publicados em bases científicas, como o PubMed e a revista JAMA Pediatrics, investigaram o uso de determinadas cepas de probióticos em bebês com cólicas, especialmente naqueles em aleitamento materno exclusivo. As pesquisas sugerem que, em casos selecionados, certos probióticos podem auxiliar no equilíbrio da microbiota intestinal.

Contudo, é fundamental compreender que a suplementação infantil segura deve ser sempre individualizada e orientada por um profissional. O organismo de cada bebê é único, e o que funciona para um pode não ser indicado para outro. Por isso, não recomendo o uso de qualquer suplemento ou produto por iniciativa própria. A avaliação criteriosa do pediatra é o que garante segurança e eficácia.

A abordagem integrativa valoriza essas possibilidades, mas sempre com responsabilidade e embasamento científico, considerando o conjunto do bebê: sua alimentação, seu desenvolvimento, o ambiente familiar e o histórico de saúde.

O que devo evitar ao tentar aliviar as cólicas?

Tão importante quanto saber o que fazer é entender o que não fazer. Algumas práticas populares, transmitidas de geração em geração, podem trazer riscos ao bebê:

  • Chás e infusões caseiras: oferecer chás ao recém-nascido não é recomendado, pois pode interferir na amamentação e oferecer riscos à saúde do bebê nessa fase tão delicada.
  • Medicamentos sem orientação: nenhum medicamento deve ser administrado ao bebê sem prescrição e acompanhamento médico.
  • Produtos sem comprovação: evite recorrer a soluções milagrosas divulgadas sem embasamento científico.
  • Mudanças bruscas na alimentação: alterações na dieta da mãe ou na alimentação do bebê devem ser sempre discutidas com o pediatra.

O excesso de opiniões e palpites, embora venha de pessoas que amam o seu bebê, pode aumentar a sua ansiedade. Confie no acompanhamento profissional e na sua intuição de mãe ou pai.

Como cuidar de mim mesma durante essa fase?

Um aspecto que considero essencial e que muitas vezes é esquecido: o cuidado com os pais. As cólicas afetam toda a família, e o cansaço, a privação de sono e a sensação de impotência são reais. Cuidar de você também é cuidar do seu bebê.

Permita-se pedir ajuda, dividir as tarefas e descansar sempre que possível. Quando você está mais tranquila, o bebê também percebe essa serenidade. Lembre-se de que essa fase é passageira. As cólicas vão melhorar, as noites vão ficar mais tranquilas, e a conexão com o seu filho seguirá crescendo a cada dia.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com base em diretrizes pediátricas atualizadas e revisado por uma médica com sólida formação e ampla vivência clínica, garantindo informações seguras, éticas e baseadas nas mais recentes evidências para a saúde do seu filho. As principais referências utilizadas foram:

  • Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre puericultura e cuidados com o recém-nascido.
  • Recomendações da American Academy of Pediatrics (AAP) sobre sono seguro e manejo do choro infantil.
  • Estudos científicos disponíveis em bases como PubMed e JAMA Pediatrics sobre cólicas e microbiota intestinal.
  • Orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre aleitamento materno.
  • A expertise de uma pediatra formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, com mais de 13 anos de atuação em enfermaria pediátrica de alta complexidade e especialização em Pediatria Integrativa, escrito por mim, Dra. Mariana Nauff (CRM/SP 129816 | RQE 79233).

Perguntas frequentes sobre cólicas do recém-nascido

Com quantos meses as cólicas costumam passar?

Na maioria dos bebês, as cólicas melhoram naturalmente entre os três e os quatro meses de idade, à medida que o sistema digestivo amadurece e a regulação do bebê se desenvolve.

É normal o bebê chorar muito à noite por causa de cólica?

Sim. Os episódios de cólica costumam se concentrar no fim da tarde e à noite. Desde que o bebê esteja se alimentando bem, ganhando peso e sem sinais de alerta, esse padrão de choro é considerado parte do desenvolvimento normal.

A massagem realmente ajuda nas cólicas?

A massagem suave na barriga, no sentido horário, e os movimentos delicados das perninhas podem ajudar a movimentar os gases e proporcionar alívio. Além do efeito físico, o toque transmite acolhimento e segurança ao bebê.

Devo mudar a fórmula ou minha alimentação se o bebê tem cólica?

Mudanças na alimentação não devem ser feitas por conta própria. Em situações específicas, como suspeita de alergia, o pediatra pode orientar ajustes de forma individualizada e segura. Procure sempre uma avaliação profissional antes de qualquer alteração.

As cólicas indicam algum problema de saúde grave?

Na grande maioria dos casos, não. As cólicas são uma fase transitória em bebês saudáveis. No entanto, se houver febre, vômitos persistentes, sangue nas fezes ou recusa alimentar, é importante procurar um pediatra para avaliação.

Conclusão

As cólicas do recém-nascido fazem parte de uma fase desafiadora, mas passageira, e você não precisa enfrentá-la sozinha. Com acolhimento, técnicas naturais e orientação adequada, é possível atravessar esse período com mais tranquilidade e fortalecer o vínculo com o seu bebê.

Como pediatra integrativa em São Paulo, acredito em um cuidado que une a ciência à sensibilidade materna. A chegada do meu próprio filho durante a residência transformou o meu olhar, e por isso entendo, de verdade, o que você sente nesses momentos. Na consulta, você encontrará escuta atenta, calma e orientações baseadas em evidências, para que caminhemos juntas, sem julgamentos.

Se você busca um acompanhamento pediátrico seguro, atento e que valorize a prevenção e o desenvolvimento integral do seu filho, agende uma consulta presencial em Santo Amaro ou por telemedicina. Vamos construir juntos uma infância mais saudável, tranquila e feliz para o seu bebê.

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